Pit stop
Por José Nilton Dalcim
28 de setembro de 2016 às 21:12

O número 1 do mundo anunciou nesta quarta-feira que pela segunda vez nos últimos oito anos não disputará o ATP 500 de Pequim, lugar onde é o rei absoluto. Afinal, todas as seis vezes que foi lá, ganhou. E com apenas dois sets cedidos desde 2012.

O problema é o mesmo cotovelo direito que o incomoda pelo menos desde Toronto. Aparentemente, é uma tendinite e isso só se cura com uma parada obrigatória. O golpe talvez mais afetado seja o saque.

Fora de Pequim, não me surpreenderá se ele desistir também de Xangai. Afinal, ir para o Oriente apenas para um torneio não é uma grande ideia. Há a viagem, o fuso, a falta de ritmo. Ele poderia muito bem se tratar e trocar Pequim pela Basileia ou Viena como preparativo para Paris e depois o Finals de Londres.

Toda essa precaução abre uma pequena fresta para Andy Murray ainda sonhar com o número 1 no finalzinho da temporada, mas o risco é pequeno e talvez valesse a pena Djokovic se resguardar. Vejamos os números.

Djoko não tem gordura para queimar, porque jogou exatamente os 18 torneios permitidos nos últimos 12 meses. Assim, perderá os 500 pontos de Pequim. Se também não for a Xangai, serão outros 1.000 a menos e ele então cairá na pior das hipóteses para 12.540.

Não há como o escocês chegar a esse montante. Andy tem 9.345 no total e o máximo que poderia atingir com dois títulos na China seriam 10.485. Ficaria ainda boa folga. Se tudo for tão bem para o britânico, a primeira chance de superar Nole só viria em Paris, porém Nole pode antes disso jogar um 500 e manter uma margem tranquilizadora.

Portanto, só mesmo o Finals poderia assistir à briga pela liderança, porque Murray defende em Londres somente 200 e poderia marcar 1.500 pontos, fazendo com que obrigatoriamente Djokovic perdesse pelo menos 300.

Resumindo: mesmo que Nole fique em casa e não vá à Ásia, Murray terá de ter uma trajetória espetacular para se tornar uma ameaça real ainda em 2016. É uma aposta. Eu toparia.

Renovação em dose dupla
Por José Nilton Dalcim
25 de setembro de 2016 às 22:33

O primeiro título de ATP de Lucas Pouille e Alexander Zverev neste domingo parece marcar a definitiva chegada da nova geração à elite do tênis masculino. No ranking desta segunda-feira, veremos três dos top 20 com no máximo 23 anos e mais dois na casa dos 25. É pouco, porém animador.

Pouille será o 16º, exatamente atrás de Nick Kyrgios. Ele derrotou em Metz o top 10 Dominic Thiem, ainda a maior sensação da temporada entre os novatos. Mas o próprio Pouille deu um salto e tanto. Era o 90º ao término do Australian Open e aí fez resultado em todo tipo de quadra, como semi em Roma e quartas em Wimbledon e US Open.

Aos 19, Zverev repetirá o 24º lugar como melhor marca, porém a menos 50 pontos do 20º. Teve alguns altos e baixos desde janeiro, mas a ascensão é contínua. Ganhou de nomes como Federer, Cilic, Goffin e Simon, tendo batido na trave com os vices na grama de Halle e no saibro de Nice. A altura de 1,98m não o limita. O mais assombroso é que está no circuito profissional desde janeiro de 2014. O troféu inédito deste domingo veio ainda por cima diante de Stan Wawrinka, um marco.

Interessante notar que há pouca semelhança no plano tático dos dois jogadores. Pouille não depende tanto do saque, gosta muito de jogar na rede, abusa dos toques. Zverev é mais peso pesado, pegando forte o tempo todo da base. Ainda assim, ambos mostram a essencial versatilidade de pisos. Passo a passo, o futuro está chegando.

Fatos curiosos sobre Pouille: sua mãe é finlandesa, fluente em sueco, e conheceu o futuro marido Pascal em Londres. Assim, os pais se comunicavam em inglês o tempo todo e dessa forma criaram Lucas. Ele entrou no programa nacional do tênis francês aos 12 anos, mas manteve passaporte finlandês até os 18. Em fevereiro do ano passado, mudou-se para Dubai a fim de fugir dos impostos. Em toda sua carreira juvenil, jamais figurou sequer no top 20 do ranking mundial.

Incansável Stepanek
Ao mesmo tempo que falamos da nova geração, é preciso dar o devido crédito a Radek Stepanek. Pertinho dos 38 anos, ele passou o oitavo quali desta temporada, agora em Chengdu, repetindo Australian Open, Roland Garros, US Open, Madri e Toronto.

Com isso, vai quebrando marcas. Já foi o mais velho a ganhar uma partida de ATP desde 2010 e, ao lado dos 43 anos de Daniel Nestor, fez a dupla de mais idade a atingir uma final de Grand Slam da Era Profissional.

Stepanek deixou o top 100 em abril do ano passado devido à contusão nas costas e, ausente das quadras entre agosto de 2014 e abril de 2015, chegou a cair para o 369º posto. Está agora em 105º.

Thiago vai à Austrália
Não deu para Thiago Monteiro na final de Santos, mas o vice no challenger garantiu o canhoto cearense em seu primeiro Grand Slam da carreira. Com os pontos somados, ele fatalmente terminará a temporada perto do 90º posto do ranking e com isso terá seu lugar no Australian Open.

Monteiro descansa nesta semana e depois joga pelo menos mais dois challengers no saibro sul-americano, em Campinas e Buenos Aires. Boa oportunidade para defender os únicos 26 pontos até fechar o calendário.

Brasil pode ter novos nº 1 e encerrar jejum de 5 anos
Por José Nilton Dalcim
21 de setembro de 2016 às 18:34

Esta é uma semana incrivelmente interessante para o tênis brasileiro. Mesmo jogando torneios de segundo escalão, o cearense Thiago Monteiro e a paulista Paula Gonçalves podem se tornar os jogadores nacionais mais bem classificados do ranking mundial pela primeira vez, desbancando Thomaz Bellucci e Teliana Pereira.

E não é só. O paulista Rogerinho Silva concorre seriamente a recuperar seu posto no top 100 – infelizmente, ele e Rogerinho podem ser cruzar na semi de Santos – e com isso o Brasil voltaria a ter três nomes listados nessa faixa desde 21 de agosto de 2011, quando apareciam Bellucci (36), João Souza (90) e Ricardo Mello (91).

Para superar Bellucci no ranking, Monteiro precisa ser campeão em Santos neste domingo. Bellucci no momento soma 675 pontos como número 81 do ranking. Como está 19 postos atrás com 608 pontos, o canhoto cearense só atingirá 681 se faturar os 80 pontos dedicados ao vencedor do challenger praiano.

A linha de corte para um tenista fechar a temporada no top 100 é ligeiramente acima dos 600 pontos, então também se pode garantir que Monteiro necessita da final em Santos, que dá 48 pontos, para entrar diretamente no Australian Open. Essa vaga também não está distante de Rogerinho. Ele tem um longo calendário de challengers no saibro (Santos, Medellin, Campinas e Buenos Aires pelo menos), porém defende 137 pontos até novembro e assim precisará de boas campanhas.

A luta também está aberta entre as meninas. Segundo levantamento de Mário Sérgio Cruz, Paula pode superar Teliana nesta semana, em que joga no ITF de Albuquerque. A diferença entre elas é de apenas seis pontos, mas a campineira defende 18. Estreou bem na quadra dura hoje e terá de atingir essa semi nos EUA. Ainda por cima voltaria ao top 160. De qualquer forma, a troca de número 1 parece inevitável, já que Teliana passou uma rodada em Pequim no ano passado e assim perderá 60 pontos dentro de duas semanas.

Calendário
Ao dar uma conferida geral no calendário dos tenistas e dos torneios nesta reta final de temporada, algumas coisas chamam a atenção:
– Federer ainda está inscrito em Xangai. Pode ser apenas esquecimento da ATP ou dos organizadores.
– Thiem ganhou cachê para jogar Chengdy no lugar de Tsonga e aí recebeu convite para Pequim. Até então, era o único top 40 em atividade foram da fase asiática.
– Djokovic, Murray, Nadal e Raonic serão os favoritos em Pequim. Já Tóquio terá Wawrika, Nishikori e Monfils.
– Alguns encheram a agenda e irão encarar pelo menos quatro consecutivos, casos de Goffin, Gasquet, Dimitrov, Tomic e Zverev.
– Número 39 do ranking, Pablo Carreño pode ser obrigado a disputar quali em Pequim.
– Bellucci, a princípio, vai tentar os qualis grandes. Entra direto no 250 de Shenzhen, se arrisca no 500 de Pequim e no 1000 de Xangai e depois já tem vaga no 250 de Moscou.
– Monteiro descansa na próxima semana e aí jogará os challengers de Campinas e Buenos Aires.